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terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Teste 01

Certo dia viajando de casa para o centro da cidade num daqueles ônibus de mais ou menos 20 anos de uso, depois de aturar uns três vendedores de bombons, picolés e outras bugigangas e mais uns dois pedintes, todos com a mesma história como se alguém tivesse ensinado a eles, me chamou a atenção uma conversa entre dois caboclos. Claro que foi pelo sotaque que identifiquei:
- seu mano, esses nossos times de futebol têm tudo pra dar certo, têm torcida, estádios, tradição, mas não sei que macumba que fizeram que eles não saem da lama.
- Foi macumba não, cumpadre, são os dirigentes de Remo e Paysandu, que só fazem dar sumiço no dinheiro. E o pior é que a cara deles nem treme.
Aquela frase despertou minha curiosidade. Por que a cara deles nem treme?
Sai em busca da resposta. Sentei no bar do Manoel, na minha mesa preferida, pedi uma gelada e comecei a perguntar. Por que a cara deles nem treme?
Nazareno, bicolor, lembrou que “um dirigente prometeu fazer a arena da Curuzú, a um custo de R$ 8 milhões e chegou até a mostrar o projeto. Nesse tempo, o Papão chegou na semifinal da Libertadores, ganhou uma grana alta. Mas não teve arena e o dinheiro sumiu”.
Mas por que a cara deles não treme?
Tuca, remista, falou sobre a onda da venda do Baenão. “Os caras queriam vender o maior patrimônio do Remo a preço de banana, ficariam com a grana e o time, ô! Teve gente da imprensa que apoiou a ideia (porque seria?), mas como o cara não conseguiu, esperou anoitecer, sorrateiramente entrou com seus cúmplices no estádio e derrubou o símbolo do Remo. E ficou por isso mesmo”.
Mas por que a cara deles nem treme?
Responde o Manoel, dono do bar de trás do balcão, com seu sotaque nordestino: “Ainda não entendeu, carecone, a cara deles nem treme por que é de pau”.
Assina: Carecone

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