Certo dia viajando de casa para o
centro da cidade num daqueles ônibus de mais ou menos 20 anos de
uso, depois de aturar uns três vendedores de bombons, picolés e
outras bugigangas e mais uns dois pedintes, todos com a mesma
história como se alguém tivesse ensinado a eles, me chamou a
atenção uma conversa entre dois caboclos. Claro que foi pelo
sotaque que identifiquei:
- seu mano, esses nossos times de
futebol têm tudo pra dar certo, têm torcida, estádios, tradição,
mas não sei que macumba que fizeram que eles não saem da lama.
- Foi macumba não, cumpadre, são os
dirigentes de Remo e Paysandu, que só fazem dar sumiço no dinheiro.
E o pior é que a cara deles nem treme.
Aquela frase despertou minha
curiosidade. Por que a cara deles nem treme?
Sai em busca da resposta. Sentei no bar
do Manoel, na minha mesa preferida, pedi uma gelada e comecei a
perguntar. Por que a cara deles nem treme?
Nazareno, bicolor, lembrou que “um
dirigente prometeu fazer a arena da Curuzú, a um custo de R$ 8
milhões e chegou até a mostrar o projeto. Nesse tempo, o Papão
chegou na semifinal da Libertadores, ganhou uma grana alta. Mas não
teve arena e o dinheiro sumiu”.
Mas por que a cara deles não treme?
Tuca, remista, falou sobre a onda da
venda do Baenão. “Os caras queriam vender o maior patrimônio do
Remo a preço de banana, ficariam com a grana e o time, ô! Teve
gente da imprensa que apoiou a ideia (porque seria?), mas como o cara
não conseguiu, esperou anoitecer, sorrateiramente entrou com seus
cúmplices no estádio e derrubou o símbolo do Remo. E ficou por
isso mesmo”.
Mas por que a cara deles nem treme?
Responde o Manoel, dono do bar de trás
do balcão, com seu sotaque nordestino: “Ainda não entendeu,
carecone, a cara deles nem treme por que é de pau”.







0 comentários:
Postar um comentário